Nova obra do médico sergipano Francisco Baptista, radicado em Florianópolis, será lançada dia 15 no CIC

Já nas primeiras páginas desta nova obra assinada pelo psiquiatra Francisco Baptista, sergipano de origem familiar baiana, radicado em Florianópolis há quatro décadas, o médico psiquiatra Ercy Soar adverte sobre o que vem pela frente: “O Sucesso é uma Escolha – Pais não são responsáveis pelo destino dos filhos” rompe com a lógica simplista e com a comodidade de explicar o fracasso pessoal recorrendo-se sempre aos supostos erros dos pais”. Numa sociedade em que a culpa paira sobre as cabeças de homens e mulheres, as palavras de Baptista soam quase como um grito de liberdade.

Francisco Baptista Neto

Exímio contador de histórias, que vão desde a infância no Nordeste até à passagem por Rio de Janeiro e Brasília, onde aos 18 anos foi oficial de gabinete da Presidência da República, ficou evidente o gosto pela política, herdado da família (seu pai, Lourival Baptista, foi governador do Sergipe e Senador da República).

Suas histórias, invariavelmente acompanhadas de um bom vinho e alta gastronomia, renderam outros dez livros, incluindo uma autobiografia com forte inspiração nos grandes nomes da literatura nordestina (Histórias que vivi, histórias que me contaram). A maioria dos livros tem como base a experiência do consultório, mas muitas tratam de temas polêmicos, como drogas, origens do comportamento criminoso etc Há até um compilado de bilhetes escritos à mão pelo ex-presidente Getúlio Vargas, e confiados por Lourival Fontes, chefe de gabinete de Vargas, ao amigo Lourival Baptista.

Por tudo isso, os eventos de lançamento das obras de Chico Baptista são sempre reuniões festivas, repletas de amigos, o que deve se repetir no dia 15 de março, a partir das 19:30hs, no Centro Integrado de Cultura.

 

SERVIÇO

O QUE: Lançamento de “O Sucesso é uma Escolha – Pais não são responsáveis pelo destino dos filhos” – Editora Insular

QUANDO: 15/03/2018

LOCAL: Centro Integrado de Cultura – Florianópolis

HORÁRIO: 19:30hs

Esqueça os vírus, as bactérias, as doenças infecciosas ou qualquer animal. Quando se trata de degradar ou destruir um homem, nenhum ser é capaz de superar outro homem. Os exemplos são variados e estão nos livros de história, nas revistas e no telejornal da noite. Mas esse poder destrutivo toma ares de tragédia quando transformado em ação de grupos políticos, como ocorreu em guerras na África, na Iugoslávia e – mais conhecido dos tristes exemplos – durante o nazismo. A Biblioteca All Press da semana trata de um livro fenomenal: É isto um homem?
Escrito pelo italiano Primo Levi entre os anos de 1945 e 1947, o texto é desolador da primeira a última página. No início, um poema com o mesmo título do livro dá o tom do que virá pela frente:

Vocês que vivem seguros
Em suas cálidas casas,
Vocês que, voltando à noite,
Encontram comida quente e rostos amigos,
Pensem bem se isto é um homem
Que trabalha no meio do barro, que não conhece paz,
Que luta por um pedaço de pão,
Que morre por um sim ou por um não.
Pensem bem se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome,
Sem mais força para lembra,
Vazios os olhos, frio o ventre,
Como um sapo no inverno.
Pensem que isto aconteceu:
Eu lhes mando estas palavras.
Gravem-nas em seus corações,
Estando em casa, andando na rua,
Ao deitar, ao levantar;
Repitam-nas a seus filhos.
Ou, senão, desmorone-se a sua casa,
A doença os torne inválidos,
Os seus filhos virem o rosto para não vê-los.

A partir daí, a obra narra a prisão de Levi e um grupo de prisioneiros que pretendiam resistir ao fascismo italiano, sua deportação para o campo de concentração na Polônia e os terrores vividos até a libertação com a chegada dos russos. Sem identidade, chamados apenas pelo número tatuado em seus braços, milhares de homens e mulheres são humilhados, ameaçados e subjugados. Pior: em condições extremas (frio, fome, privação do sono e de descanso e trabalho em condições sub-humanas) parecem perder a consciência da própria humanidade, afinal os vultos sem cor e voz que andam de um lado para o outro na narrativa de Levi são mortos-vivos apenas à espera do tiro, da câmara de gás ou da forca.
A vulgaridade da morte é assustadora. Levi conta um episódio das chamadas seleções, quando um oficial da SS definia quem iria morrer em poucos dias na câmara de gás ou viver mais algum tempo.

A cena começa com os prisioneiros trancados em um pequeno ambiente. Eles devem sair por uma porta e entrar em outro espaço por outra, pouco distante da primeira:

“Cada um de nós, ao sair, nu, da peça nos ar frio de outubro, deve passar correndo entre uma porta e outra, na frente dos três (os responsáveis por definir quem vive ou morre); entregar a ficha ao SS e entrar pela outra porta, a do dormitório. O SS, na fração de segundo entre as duas sucessivas passagens, com uma olhadela de frente e outra de costas, julga a sorte de cada um e por sua vez entrega a ficha ao homem à sua direita ou à sua esquerda – e isso é a vida ou a morte de cada um de nós. Em três ou quatro minutos, um alojamento de 200 homens está “feito” e, à tarde, todo o Campo de 12 mil homens”. Primo Levi foi deportado com 650 judeus. Desse grupo, três sobreviveram.

Todo esse horror, no entanto, não mudou algo fundamental: Primo Levi, morto em 1987, não era o espectro no qual se transformou durante os anos no Campo. Ele era um homem – e um homem que assumiu postura admirável. Ele faz a denúncia do próprio sofrimento, do sadismo dos homens que tinham algum poder no Campo, mas não escreve um manifesto à vingança ou à intolerância. Em vez disso, faz algo maior – indo além até da ótima literatura – e revela características da alma humana que talvez preferíssemos ignorar.

Vale citar o que ele mesmo escreve no prefácio: “Ele (o livro) não foi escrito para fazer novas denúncias; poderá, antes, fornecer documentos para um sereno estudo de certos aspectos da alma humana. Muitos, pessoas ou povos, podem chegar a pensar, conscientemente ou não, que “cada estrangeiro é um inimigo”. Em geral, essa convicção jaz no fundo das almas como uma infecção latente; manifesta-se apenas em ações esporádicas e não coordenadas; não fica na origem de um sistema de pensamento. Quando isso acontece, porém, quando o dogma não enunciado se torna premissa maior de um silogismo, então, como último elo da corrente, está o Campo de Extermínio”. Ou seja: é preciso lembrar sempre para que nunca se repita.

 

Sobre o autor:

RogérioRogério Kiefer ( @rogeriokiefer) é jornalista e sócio-diretor da All Press Comunicação.

O brasileiro é cordial – e isso já foi dito por gente com PhD em universidades estrangeiras e por algum taxista da Praça XV. Não bastassem os ônibus incendiados e os recordes de mortes por assassinato no País, a história também ensina que há uma diferença entre ser cordial e ter uma vida sempre pacífica. Quando a situação exige, o brasileiro, assim como qualquer outro povo, é capaz cometer verdadeiras de atrocidades.

Os Sertões, de Euclides da Cunha, fala dos “gravatas vermelhas”, que eram as vítimas da degola, hábito que se tornou represália comum aos vencidos na guerra de Canudos. Na Retirada da Laguna, outro livro essencial sobre a história do País, o Visconde de Taunay trata da guerra do Paraguai e fala da tática de queimar a vegetação como forma de “desentocar” adversários.

Mas a Biblioteca All Press dessa semana trata de outra obra. As Noites das Grandes Fogueiras, de Domingos Meirelles, talvez seja o livro definitivo sobre a Coluna Prestes. A partir da revolução paulista de 24, a obra – um catatau de mais de 720 páginas – narra de maneira emocionante a saga do grupo de militares (representantes do chamado tenentismo, ‘nascido’ na revolta do Forte de Copacabana) e agregados que percorreram milhares de quilômetros pelo País, “invadiram” territórios vizinhos fugindo do exército e transformaram Luis Carlos Prestes na figura mítica que viria a receber o nome de “O Cavaleiro da Esperança” dado por Jorge Amado.

O cenário é sempre de guerra e opressão, com a participação de jagunços, militares, coronéis da velha estirpe e todo o peso do Governo jogado contra uns poucos revoltosos. Ameaçado, o Presidente da República Arthur Bernardes, chega ao extremo de usar a aeronáutica contra a população civil. Na página 153 uma passagem histórica:

“Quinze minutos depois a cidade estremece, sacudida por uma sucessão de explosões até então desconhecida. São Paulo está sofrendo, pela primeira vez em sua história, um bombardeio aéreo. As bombas de 60 quilos, lançadas pelos aviões do exército, abrem crateras gigantescas no centro da cidade. Casas, prédios, quarteirões inteiros são transformados em densas nuvens de pó”.

A derrota em São Paulo leva o grupo de amotinados a fugir pelo País. A pé, maltrapilhos, castigados pelo clima e pelos combates, conhecem um país muito diferente e se transformam em símbolos (de selvageria para os governistas, de esperança para quem queria mudanças). Meirelles recupera essa jornada e o clima político no Brasil à época com maestria e detalhes, montando uma história que deve ser lida por todos aqueles que tem interesse nesse episódio ainda mais famoso pelo pitoresco do que conhecido a fundo.

 

Na Biblioteca All Press você pode emprestar livros sem muita burocracia. Basta enviar um email, consultar a disponibilidade e passar no nosso escritório para pegar o livro.

 

Sobre o autor:

RogérioRogério Kiefer ( @rogeriokiefer) é jornalista e sócio-diretor da All Press Comunicação.

9789722040846 prothPhilip Roth está aposentado, já passou dos 80 e ainda não recebeu o maior prêmio da literatura mundial. A Academia Sueca que corrija logo esse deslize e evite uma grande injustiça, já que o Nobel não é entregue in memorian.

O norte americano tem uma longa lista de obras que devem ser lidas e que podem aparecer em qualquer estante que reúna os grandes livros das últimas décadas. Patrimônio (autobiográfico, que trata da morte do pai do autor, vítima de um tumor não maligno no cérebro), Nêmesis (declarado como último livro de sua extensa criação), Complexo de Portnoy, O Professor do Desejo, A Marca Humana, Fantasma Sai da Sombra, Adeus Columbus (esse do início da carreira), entre outros, compõem uma galeria de personagens e histórias riquíssima. Há traços em comum entre vários livros da lista: personagens sexualmente desajustados, desalento com relação ao futuro do homem, inadequação do indivíduo aos padrões sociais estabelecidos – tudo em meio a um cenário delimitado e desenhado a partir da matriz da cultura dos judeus que vivem nos Estados Unidos.

O humor é outro ponto forte do autor. Não há piadas ou trechos escritos para arrancar gargalhadas. A graça está na ironia e no ridículo de várias situações. Um dos personagens mais célebres do autor – o perturbado Portnoy, “vítima” de uma mãe judia estereotipada ao máximo – conta ao psiquiatra: “Ela estava tão profundamente entranhada em minha consciência que, no primeiro ano na escola, eu tinha a impressão de que todas as professoras eram minha mãe disfarçada. Assim que tocava o sinal ao final das aulas, eu voltava correndo para casa, na esperança de chegar ao apartamento em que morávamos antes que ela tivesse tempo de se transformar. Invariavelmente ela já estava na cozinha quando eu chegava, preparando leite com biscoitos para mim. No entanto, em vez de me livrar dessas ilusões, essa proeza só fazia crescer minha admiração pelos poderes dela. Além do mais, era sempre um alívio não surpreendê-la entre uma e outra transformação – muito embora eu jamais deixasse de tentar; eu sabia que meu pai e minha irmã nem faziam ideia da natureza real de minha mãe, e o peso da traição que, imaginava eu, recairia sobre meus ombros se alguma vez a pegasse desprevenida seria demais para mim, aos cinco ano de idade.”

Outro personagem célebre de Roth é o escritor Nathan Zuckerman, presente em vários de seus livros. Dois deles estão na Biblioteca All Press. O Avesso da Vida impressiona pela estrutura complexa. Para narrar a trajetória de dois irmãos que se tornam algo como os melhores inimigos um do outro, o autor escreve capítulos com histórias que se contradizem, misturam épocas e cenários e confundem o leitor. Outro – o Fantasma sai de Cena – é perturbador ao revelar de forma direta a decadência – principalmente física, mas também psicológica – que muitas vezes impede que a velhice seja o que os otimistas (ou ingênuos, ou mal intencionados) chamam de “melhor idade”. Apaixonado por uma mulher décadas mais jovem, o escritor sofre não apenas com a impotência sexual, mas também com a incontinência urinária causada pela cirurgia de retirada de um câncer de próstata e com atotal inadequação ao ambiente que o rodeia. Há muito mais a elogiar em Philip Roth. Mas o melhor é ler suas obras e ficar na torcida para que os suecos não percam tempo e entreguem logo ao bom velinho o merecido prêmio.

Na Biblioteca All Press você pode emprestar livros sem muita burocracia. Basta enviar um email, consultar a disponibilidade e passar no nosso escritório para pegar o livro.

Sobre o autor:

RogérioRogério Kiefer ( @rogeriokiefer) é jornalista e sócio-diretor da All Press Comunicação.