Por Quem os Sinos Dobram é uma obra-prima da literatura mundial. Depois de abrir as mais de 500 páginas do livro, que narra poucos dias na vida de grupo de guerrilheiros em uma montanha espanhola em tempos de guerra civil, o leitor não quer desgrudar do texto. A expectativa em torno do futuro do grupo e do “herói” Robert Jordan é construída e alimentada com maestria por Hemingway, que em paralelo mostra ainda o potencial da guerra e do poder como elementos de degradação do indivíduo.
Assim como toda literatura de qualidade, o livro abre discussões variadas e levanta mais perguntas do que respostas – além de não se render à solução fácil de confortar o leitor. Aqui, porém, não se vai tratar disso – mas de outra característica da obra de Hemingway essencial para quem busca efetividade na comunicação. Hemingway foi gênio em sua simplicidade. Ele não precisou fazer floreios, usar palavras desconhecidas do leitor ou construções incompreensíveis para conquistar um espaço entre os maiores. Além da força das histórias que contava, ele soube como poucos usar a simplicidade em favor da forma. “Ninguém estava vivo no topo da colina, exceto o rapaz Joaquin, inconsciente debaixo do corpo de Ignácio. Joaquín sangrava pelo nariz e pelos ouvidos. Ele não tinha visto nada acontecer e não sentiu nada, já que estivera bem no epicentro do turbilhão de bombas, e sua respiração fora arrancada de seu corpo quando a bomba estourou junto a ele; o tenente Berrendo fez o sinal da cruz e, apontando para a nuca dele, disparou rápido e delicadamente, se é que uma ação destas pode ser delicada, da mesma forma que El Sordo fuzilou o cavalo ferido”.
A comunicação só ocorre quando o receptor compreende a mensagem do emissor. Equivoca-se, portanto, quem opta por usar palavras complicadas ou maneirismos linguísticos (como os termos próprios de uma profissão específica ou as muletas de termos em inglês) quando tenta passar uma mensagem. A melhor mensagem, nos mostra o exemplo de Hemingway, é aquela simples o bastante para ser compreendida e forte o suficiente para deixar uma marca no ouvinte/leitor.
Sobre o autor: Rogério Kiefer ( @rogeriokiefer) é jornalista e sócio-diretor da All Press Comunicação.
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