Li dia desses e gostei: a reputação é uma Deusa implacável. Ela tanto pode anunciar suas qualidades, como descortinar seus defeitos. E por que?
Ora: o fato é que a reputação é um paradoxo. Ela diz respeito à sua individualidade. Ao mesmo tempo, ninguém leva em consideração a sua opinião sobre as próprias virtudes, conquistas e glórias. Em vez disso, as avaliações recaem sobre o que os outros pensam de você.
Em última instância, não é possível controlar todas as etapas dessa construção. Mas é recomendável lançar as bases sobre as quais outros vão apoiar suas opiniões – e as agências de PR ou relações públicas estão aí para isso. Mas atenção: não fazemos milagres!
Muitas vezes, a reputação de uma empresa está ligada à reputação do seu principal executivo ou fundador. Por isso, ainda que a imagem de uma organização siga a cartilha ditada pelo PR, se não houver um alinhamento com quem é a face visível da empresa, toda a estratégia trabalhada nas relações públicas pode ser em vão.
Dito isso, volto ao início do artigo – quando digo que reputação não é o que você pensa sobre você, seus títulos, medalhas, currículo, beleza ou charme. A reputação diz respeito antes de tudo à forma como você é visto pelo seu círculo mais próximo – e daí por diante, até chegar à opinião pública. É moldada, no fim das contas, pelo seu caráter. Por isso, no ambiente corporativo e no âmbito pessoal é essencial que as atitudes e palavras tenham coerência e consistência.
Quando isso acontece ao longo do tempo, os benefícios são visíveis – principalmente nas crises.
Vamos pegar o caso de um político, já que esses estão mais acostumados ao escrutínio sem grandes dramas.
Num governo recente, o chefe do Executivo se viu às voltas com denúncias impactantes em meio à Operação Lava-Jato. Teve narrativa de dinheiro entregue em supermercado, delação premiada, muita emoção mesmo. A notícia saiu em vários veículos importantes, mas morreu tão rápido quanto surgiu. Gentil, moderado, dado ao diálogo, o governador saiu preservado porque tinha acumulado um capital de confiabilidade. Em sua imagem pública – sua reputação! – as pessoas simplesmente não associavam sua figura à de um corrupto.
Tive a oportunidade de cumprimentar um dos responsáveis pela gestão daquela crise. O trabalho foi bem feito – mas o resultado positivo só foi alcançado porque havia um “capital” de reputação acumulado.
Empresários, políticos, executivos e pessoas públicas precisam ter em mente que a reputação é uma construção de longo prazo. É preciso ter coerência e consistência, além de certa humildade para reconhecer equívocos e ajustar rotas. A vaidade exacerbada, que faz o indivíduo pensar que opiniões desabonadoras ou questionamentos são reflexo de ignorância, é má conselheira. No contato com especialistas em relações públicas e diante da “voz das ruas”, lembre das sábias palavras de Santo Agostinho: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem”.
Por Déborah Almada
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